Quando falamos em segurança contra incêndio, duas normas aparecem como referência em praticamente qualquer projeto: NBR 12693 e NBR 13714. Elas são responsáveis por estabelecer critérios técnicos para proteger vidas, patrimônios e operações inteiras em situações de emergência.
Essas diretrizes ajudam a evitar problemas muito comuns em sistemas de combate a incêndio, como extintores mal distribuídos, hidrantes sem pressão suficiente, equipamentos inadequados para o tipo de risco e falhas que podem comprometer completamente uma evacuação ou o controle inicial do fogo.
Ao longo deste conteúdo, vamos explicar como a NBR 13714 e a NBR 12693 funcionam, o que cada uma exige nas redes de incêndio, quais são suas diferenças e por que essas normas são indispensáveis para qualquer sistema de proteção contra incêndio eficiente. Boa leitura!
O que são as normas NBR 12693 e NBR 13714?
Quando uma edificação recebe um sistema de combate a incêndio, existe uma série de critérios técnicos que precisam ser seguidos para que tudo funcione corretamente em uma situação real de emergência.
As normas técnicas da ABNT servem como um guia completo para definir desde a instalação dos equipamentos até testes, manutenção e desempenho operacional dos sistemas.
No caso das redes de incêndio, duas normas têm papel central: NBR 12693 e NBR 13714. Embora muita gente confunda as funções de cada uma, elas atuam de maneira complementar.
Enquanto uma estabelece as exigências para extintores de incêndio, a outra regulamenta os sistemas hidráulicos com hidrantes e mangotinhos. Juntas, elas ajudam a criar uma estrutura de proteção mais eficiente, segura e alinhada às exigências do Corpo de Bombeiros.
Qual é a função da NBR 12693?
A NBR 12693 é a norma que regulamenta os sistemas de proteção por extintores de incêndio, incluindo equipamentos portáteis e sobre rodas. Ela define critérios técnicos para projeto, seleção, instalação, distribuição, sinalização e manutenção dos extintores utilizados nas edificações.
A norma estabelece quais tipos de extintores devem ser utilizados em cada ambiente, considerando o tipo de material combustível presente no local e o nível de risco da operação.
Além disso, ela também determina questões importantes como distância máxima de caminhamento, quantidade mínima de equipamentos e posicionamento adequado dos extintores.
A atualização publicada em 2021 trouxe mudanças relevantes, especialmente na inclusão de requisitos para riscos específicos e novas classes de incêndio, como a Classe D, voltada para metais combustíveis, e a Classe K, relacionada a cozinhas industriais com óleos e gorduras.
Qual é a função da NBR 13714?
A NBR 13714 é a norma responsável pelos sistemas hidráulicos de combate a incêndio sob comando, ou seja, pelas redes de hidrantes e mangotinhos instaladas nas edificações.
Ela estabelece todos os requisitos necessários para que esses sistemas consigam operar corretamente durante um incêndio de maior porte.
Entre os principais pontos abordados pela norma estão o dimensionamento hidráulico da rede, cálculo de pressão e vazão, especificação de bombas, reserva técnica de incêndio, tubulações, mangueiras e esguichos. A norma também define critérios de instalação, testes operacionais e manutenção periódica.
A revisão mais recente da NBR 13714, publicada em 2022, reforçou exigências relacionadas ao desempenho hidráulico dos sistemas, principalmente em relação à pressão mínima nos pontos mais desfavoráveis e funcionamento simultâneo de hidrantes.
Por que essas normas são obrigatórias?
As exigências previstas na NBR 12693 e na NBR 13714 estão diretamente ligadas às legislações estaduais de prevenção e combate a incêndio, além das diretrizes da NR 23, que trata da proteção contra incêndios em ambientes de trabalho.
O Corpo de Bombeiros utiliza essas normas como referência para análise e aprovação dos projetos de segurança contra incêndio. É por isso que os sistemas instalados fora dos critérios exigidos normalmente geram reprovação no AVCB, multas, interdições e necessidade de adequações corretivas.
Além da obrigação legal, existe uma questão ainda mais importante: a segurança das pessoas e do patrimônio.
Um sistema mal dimensionado, sem pressão adequada ou com equipamentos incompatíveis pode comprometer completamente a resposta a um incêndio. E em situações críticas, alguns minutos fazem toda a diferença.
Também é importante lembrar que a falta de conformidade pode trazer consequências civis e até criminais em caso de acidentes.
O que a NBR 12693 exige para sistemas com extintores?
A NBR 12693 estabelece uma série de critérios técnicos para garantir que os extintores realmente funcionem em uma situação de emergência. Veja quais são:
Classificação do incêndio
Um dos primeiros pontos definidos pela NBR 12693 é a classificação dos incêndios conforme o tipo de material combustível envolvido. Essa divisão é fundamental porque cada classe exige um agente extintor específico para que o combate seja eficiente e seguro.
- Classe A: envolve materiais sólidos que deixam resíduos após a queima, como papel, madeira, tecido e plástico;
- Classe B: está relacionado a líquidos inflamáveis, graxas e gases combustíveis;
- Classe C: envolve equipamentos elétricos energizados, exigindo agentes que não conduzam eletricidade;
- Classe D: incluída com mais destaque nas atualizações recentes da norma, é voltada para metais combustíveis;
- Classe K: contempla incêndios em óleos e gorduras utilizados em cozinhas industriais.
Como a norma define o tipo correto de extintor?
Depois de identificar as classes de incêndio existentes no ambiente, a NBR 12693 determina qual agente extintor deve ser utilizado em cada situação. O objetivo é garantir que o equipamento tenha capacidade real de controlar o princípio de incêndio de forma rápida e segura.
- Água pressurizada: indicados principalmente para incêndios Classe A;
- CO₂: utilizados em áreas com equipamentos elétricos energizado;
- Pó químico seco: áreas industriais e locais com líquidos inflamáveis;
- Espuma mecânica: utilizada em operações que envolvem combustíveis líquidos.
A norma também reforça a importância da compatibilidade entre o agente extintor e o risco da área protegida.
Distância máxima até os extintores
Outro ponto muito importante da NBR 12693 é o chamado “caminhamento máximo“, ou seja, a distância que uma pessoa precisa percorrer até alcançar um extintor durante uma emergência.
A lógica é simples: se o equipamento estiver distante demais, o fogo pode se espalhar rapidamente antes mesmo do início do combate.
As distâncias variam conforme a classificação de risco da edificação e o tipo de incêndio predominante. Em muitos casos, a norma estabelece limites entre 15 e 25 metros, dependendo do cenário analisado.
Os extintores precisam estar posicionados em locais de fácil visualização, próximos às rotas de fuga e sem obstáculos que dificultem o acesso em uma situação de emergência.
Quantidade mínima de extintores por pavimento
Em geral, cada andar da edificação deve possuir pelo menos duas unidades extintoras, posicionadas de forma que atendam toda a área protegida.
Mas esse dimensionamento não é padronizado para todos os ambientes. Áreas administrativas, galpões industriais, cozinhas, depósitos e salas técnicas possuem riscos diferentes e, consequentemente, exigências específicas quanto à quantidade e ao tipo de equipamento instalado.
Por isso, o projeto precisa considerar fatores como carga de incêndio, ocupação da edificação, circulação de pessoas e presença de materiais combustíveis.
Regras de instalação e sinalização
Além da escolha correta dos equipamentos, a NBR 12693 também traz regras bastante claras sobre instalação e sinalização dos extintores.
Os equipamentos devem permanecer em locais de fácil acesso, desobstruídos e devidamente identificados por sinalização visível. A norma também estabelece limites de altura para instalação para que o manuseio possa ser realizado rapidamente em uma situação de emergência.
Os extintores não podem ficar escondidos atrás de móveis, portas, mercadorias ou estruturas que dificultem sua visualização.
A sinalização também precisa seguir padrões específicos definidos pelas normas de segurança contra incêndio, facilitando a identificação mesmo em ambientes com fumaça ou iluminação reduzida.
Inspeção e manutenção exigidas pela NBR 12693
De nada adianta instalar extintores corretamente se eles não estiverem em condições adequadas de funcionamento. Por isso, a NBR 12693 também estabelece rotinas obrigatórias de inspeção e manutenção preventiva.
As inspeções visuais devem ser realizadas periodicamente para verificar itens como lacres, pressão, sinalização, acessibilidade e condições físicas do equipamento.
Já as manutenções técnicas seguem critérios definidos em normas complementares, como a NBR 12962.
Além disso, os extintores precisam passar por testes hidrostáticos e recargas periódicas, garantindo que o cilindro e os componentes internos suportem a pressão de operação com segurança.
O que a NBR 13714 exige nos sistemas de hidrantes?
A NBR 13714 estabelece os critérios técnicos necessários para garantir que os sistemas de hidrantes tenham vazão, pressão e estrutura suficientes para operar durante uma emergência. Entenda melhor:
Quando o sistema de hidrantes é obrigatório?
A obrigatoriedade do sistema de hidrantes depende de fatores como área construída, altura da edificação, tipo de ocupação e grau de risco do imóvel.
Em muitos estados, edificações com área superior a 750 m² ou altura acima de 12 metros já passam a exigir sistemas hidráulicos de combate a incêndio.
Além disso, indústrias, depósitos, centros logísticos e locais com alta carga de incêndio normalmente precisam instalar hidrantes, independente do tamanho da construção.
Hospitais, escolas, hotéis, shopping centers e ambientes com grande circulação de pessoas costumam possuir critérios mais rigorosos definidos pelas instruções técnicas do Corpo de Bombeiros.
Diferença entre hidrantes e mangotinhos
Embora muita gente use os termos como sinônimos, hidrantes e mangotinhos possuem características diferentes e aplicações específicas dentro das redes de incêndio.
Os mangotinhos utilizam mangueiras semirrígidas, normalmente de menor diâmetro, e são projetados para operação mais simples e rápida. Eles costumam aparecer em edificações de risco leve ou médio, permitindo um acionamento mais fácil por usuários treinados.
Já os hidrantes trabalham com mangueiras flexíveis de maior diâmetro e maior capacidade de vazão. São sistemas mais robustos, preparados para incêndios mais severos e geralmente utilizados por brigadas de incêndio ou equipes especializadas.
Tipos de sistemas previstos na NBR 13714
A NBR 13714 divide os sistemas em diferentes categorias conforme o nível de proteção exigido na edificação. Essa classificação leva em conta fatores como vazão, pressão, tipo de mangueira e risco da ocupação.
Sistema Tipo 1
O Sistema Tipo 1 é composto por mangotinhos com mangueiras semirrígidas de 25 mm ou 32 mm. Ele é indicado principalmente para edificações de risco leve e médio.
A vazão mínima normalmente exigida é de 80 L/min por ponto, com pressão suficiente para permitir um combate inicial eficiente. Esse tipo de sistema costuma ser utilizado em edifícios comerciais, condomínios e áreas administrativas.
Sistema Tipo 2
O Sistema Tipo 2 já utiliza hidrantes com mangueiras flexíveis de 40 mm, oferecendo maior capacidade de combate ao incêndio.
Nesse caso, a norma exige vazões mais elevadas, geralmente a partir de 150 L/min, além de pressão mínima adequada nos esguichos. Esse sistema é bastante comum em indústrias, galpões e edificações com risco médio ou elevado.
Sistema Tipo 3
O Sistema Tipo 3 é mais completo e inclui hidrante de passeio destinado ao uso do Corpo de Bombeiros durante operações externas.
Esse modelo é normalmente exigido em edificações de grande porte ou com riscos elevados, onde há necessidade de maior suporte operacional em caso de incêndio de grandes proporções.
Além das exigências de vazão e pressão, esse sistema também precisa prever funcionamento simultâneo de múltiplos pontos de combate, aumentando ainda mais a complexidade do projeto hidráulico.
Reserva Técnica de Incêndio (RTI)
A chamada Reserva Técnica de Incêndio, conhecida como RTI, é um dos pontos mais importantes da NBR 13714. Trata-se do volume de água reservado exclusivamente para combate a incêndio.
Essa reserva não pode ser utilizada para consumo comum da edificação e deve permanecer disponível integralmente para situações de emergência. O objetivo é garantir que o sistema continue funcionando mesmo durante longos períodos de combate ao fogo.
O cálculo da RTI considera fatores como vazão necessária, número de hidrantes operando simultaneamente e tempo mínimo de funcionamento definido pela norma.
Em muitos casos, o sistema precisa garantir autonomia entre 30 e 60 minutos, dependendo da classificação da edificação e do risco da ocupação.
Exigências de vazão e pressão
A eficiência de uma rede de hidrantes depende diretamente da capacidade de fornecer água com pressão e vazão adequadas em todos os pontos do sistema.
Por isso, a NBR 13714 estabelece valores mínimos que precisam ser atendidos durante o funcionamento da rede. Nos mangotinhos, por exemplo, as vazões mínimas costumam partir de 80 L/min, enquanto sistemas de hidrantes podem exigir 150 L/min ou mais.
A pressão também é fundamental. Se estiver abaixo do necessário, o alcance do jato e a eficiência do combate ficam comprometidos, principalmente nos pontos mais distantes ou localizados em pavimentos superiores.
Outro requisito importante é o funcionamento simultâneo de dois jatos de água em muitos tipos de sistema, garantindo capacidade operacional suficiente durante incêndios mais severos.
Componentes obrigatórios do sistema
Entre os principais elementos estão as bombas de incêndio, tubulações, abrigos, mangueiras, esguichos e registros de recalque. Cada um desses componentes possui especificações técnicas próprias e influencia diretamente na eficiência do combate ao fogo.
O registro de recalque é utilizado pelo Corpo de Bombeiros para alimentar a rede durante operações externas. Quando exigido, ele deve ficar em local de fácil acesso, normalmente voltado para a área externa da edificação.
Regras de instalação da rede de hidrantes
As tubulações da rede devem ser identificadas na cor vermelha, facilitando o reconhecimento rápido do sistema. Além disso, precisam possuir fixação adequada por meio de suportes resistentes, evitando deslocamentos, vibrações ou danos estruturais ao longo do tempo.
Os abrigos de hidrantes também devem permanecer em locais visíveis, desobstruídos e com acesso facilitado.
Outro ponto importante são os testes hidrostáticos realizados durante a instalação e o comissionamento do sistema, que servem para verificar possíveis vazamentos, falhas de vedação e resistência da rede sob pressão operacional.
Manutenção exigida pela NBR 13714
Assim como acontece com os extintores, os sistemas de hidrantes também precisam passar por inspeções e manutenções periódicas para garantir que estejam prontos para operação a qualquer momento.
A NBR 13714 prevê inspeções mensais para verificar itens como pressão da rede, funcionamento das bombas, condições dos abrigos, lacres, válvulas e acessibilidade dos equipamentos.
Além das verificações mensais, a norma também recomenda testes trimestrais de funcionamento do sistema, incluindo acionamento operacional das bombas, testes de vazão e inspeção das mangueiras.
As inspeções anuais costumam envolver procedimentos mais completos, como manutenção preventiva das bombas, limpeza dos reservatórios e testes hidrostáticos das mangueiras de incêndio.
Quem pode elaborar projetos conforme a NBR 12693 e NBR 13714?
Tanto a NBR 12693 quanto a NBR 13714 exigem conhecimento técnico especializado para garantir que o sistema realmente atenda às necessidades da edificação e às exigências legais.
Os projetos de prevenção e combate a incêndio devem ser elaborados por profissionais habilitados e registrados junto ao CREA ou CAU, dependendo da atividade exercida.
Além da elaboração técnica, o profissional também é responsável pela emissão da ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) ou do RRT (Registro de Responsabilidade Técnica), documentos obrigatórios para aprovação do projeto junto ao Corpo de Bombeiros.
NBR 12693 e NBR 13714: segurança, conformidade e eficiência nas redes de incêndio
Ao longo do conteúdo, vimos que não basta apenas instalar equipamentos de combate a incêndio. É necessário seguir critérios específicos de dimensionamento, distribuição, pressão, vazão, sinalização e manutenção preventiva para que toda a rede funcione corretamente em uma situação real de emergência.
Além de contribuir para a segurança patrimonial e operacional, a conformidade com as normas também evita problemas como multas, interdições, reprovação no AVCB e responsabilizações legais.
Se você está planejando instalar, adequar ou modernizar uma rede de incêndio, também vale a pena contar com materiais confiáveis e compatíveis com as exigências técnicas do mercado.
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